Pensai por vós mesmos. Esta premissa é o maior desafio que toda a humanidade se depara. O acto de pensar, é por si só, um acto de liberdade. Pensar, reflectir, insinuar, desejar são modelos que nos indicam se somos ou não um –Ser Humano. Isto é exclusivo. Se há coisas que nos tornam especiais de todo o resto, que nos distinguem de um pessegueiro, é pelo facto de que temos a exclusividade do pensamento, ou seja, deixamos de ser coisas e passamos a ser pensantes. Quem pensa, está no maior e mais exclusivo grupo de todos. Vamos então analisar o que é isto do “pensai por vós mesmos”. Será uma actividade boa? Ou algo que nos pode atrapalhar a vida?
Primeira Parte:
Se fizermos um pequeno exercício mental e olharmos à nossa volta, iremos perceber que as grandes invenções foram lutas internas (ego) e externas, entre uma ideia e um ideal.
Quase todos os produtos são exemplos do “pensai por vós mesmos”. Podemos então afirmar que possível e saudável seguir o nosso pensamento.
Este acto de criação não é exclusivo só de certos meios sociais. Tal como foi referido anteriormente; o acto de pensar é exclusivamente humano. Já imaginaram o trabalhão e as confusões que levaram à invenção da lâmpada? E a Internet? O Micro ondas e o automóvel? Tudo isto não é mais do que o maior paradigma da nossa civilização, “Pensai por vós mesmos” porque só assim é que é possível melhorar o nosso habitat.
Então, porque levanta tanta confusão e especulação o valor do conselho –“Pensai por vós mesmos”, mesmo que, como já vimos anteriormente, pode ser benéfico para a nossa vida?
Ora, este paradigma entra em contradição com os domínios comuns dos costumes. E Porquê?
Segunda Parte:
Primeiro: A crença em instituições humanas (politica, direito e justiça) é vulnerável. Dentro destas características, o Ser – Humano não pode fugir ao consolo social. Se reflectirmos o Ser como um Ser social e que vive só no social, é indubitável que se criem normas. Ficamos assim, perante uma vida normativa.
No entanto, estas normas são importantes para a manutenção geral, mas que limitam o Ser a ter uma conduta livre e por conseguinte a ter um pensamento condicionado. O Ser é por si só um indeterminado e necessita de pensar nas coisas à sua maneira. Só podemos pensar por nós mesmos se for para contribuir para uma melhoria do sistema. Mas isto pode trazer problemas. Esta forma de pensar sistemática contrai a disseminação do indivíduo. Esta falta de identidade sistemática é um bem necessário para a preservação de um sistema. Kafka entendeu isto de forma brilhante a quando a sua obra O Processo, mas também não dissolveu o problema, simplesmente o explicou e aqui ele pensou por si só e pensou bem. É nesta virtuosidade individual que nasce a vontade. Kant concebe a vontade como “a faculdade de se determinar a si mesmo a agir em conformidade com certas leis”. Aplica-se aos seres racionais e o que serve de princípio objectivo à sua auto-determinação é o fim, que, uma vez dado só pela razão tem de ser válido para todos. Já o contrário, a possibilidade da acção, pese embora ter como efeito um fim, não passa de um meio.
Conclusão:
Se pensar por nós mesmos for: possuir um bom espírito crítico e ser construtivo, então é bom pensar por nós mesmos. Mas se por alguma razão isto for contra o bem comum, então é melhor não pensar muito e deixar-nos levar pelo rebanho. O João fugiu da prisão. O João pensou por ele mesmo, mas pensou mal. Pensar é um exercício único, mas que deve obedecer a um conjunto de interesses, estes interesses têm um nome, verdades. O que são verdades? Pensai por vós mesmos.
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